Arquitectura Popular Beirã

 

 Por entre a paisagem granítica despontou ao longo dos séculos um edificado que constitui característica dessa mesma paisagem. É mercedora de ser estudada, analisada e valorizada.


Desde os tempos primitivos o homem teve a necessidade de se proteger e ter o seu espaço. Os seus hábitos, tecnologias, formas de pensar e necessidades foram alterando a forma de construir e habitar.

Território, Gentes & Subsistência 

A Serra da Estrela é caracterizada pela sua morfologia, é a serra mais elevada de Portugal Continental, está cheia de encantos e história. Pontifica o rude granito e em algumas zonas o xisto, são eles constituição de uma arquitectura enraízada nas gentes que habitam em vales e pequenas localidades. O exemplo desta arquitectura aqui focada é a existente no Vale do Mondego, concelho de Gouveia e Casais de Folgosinho. Para além do granito pontificam os castanheiros, os pinheiros e os carvalhos que outrora abundavam.
 As gentes desta região são aguerridas, de coragem sublime, cuja epopeia tem sido percorrida ao longos dos séculos para tirar da terra o sustento de suas vidas.
Foi sempre a agricultura e a pastorícia a economia de sustento. A agricultura essa a de regadio foi sempre abençoada pelos longos cursos de àgua que rasgam a paisagem, sempre afamada de abundância por estas paragens.


Evolução do Edificado.

Não houve nunca estruturação urbanística ou estudo prévio para a edificação deste tipo de estrutura arquitectónica. Cada um foi erguendo a sua casa onde conforme pôde, tentando manipular ao máximo o parcelamento de propriedade, tanto à orografia como ao espaço disponivel. Podemos falar de evolução porque a estrutura formal que temos hoje, sobrevivente, nem sempre foi a mesma. Devo dizer que a actividade económica de sobrevivência da população teve sempre importância no erguer deste edificado, está subjugado às necessidades com que agricultura e pastorícia lhe proporcionava, ao nível espacial, formal e estrutural.
Terá começado por uma planta circular com telhado cónico, verdadeiramente primitiva cuja actividade pastorícia influência a sua estrutura. Terá seguido para uma planta quadrada ou rectangular, mas o telhado esse de motivos ainda vegetais. Seria uma evolução bem mais perto da que podemos assistir hoje em que as alterações são ao nível da dimensão e da inserção da telha de canudo como elemento de cobertura.

 

Exemplo de edificado próximo do primitivo. Cobertura de colmo, este tipo de construção serve sobretudo para guardar o gado.

 

 
Casais de Folgosinho


Tipologia da Casa Popular.

A casa popular típica desta região beirã é composta por dois pisos de planta quadrada ou rectangular . Um rés-do-chão onde continha a "corte", lugar onde permanecia o gado ou caso não houvesse  surgia como espaço de armazenamento de produtos agrícolas, também chamado de "loja". No andar sobrado acessível por uma escada em pedra era composto por uma ou duas divisões, a cozinha com lareira e o quarto.  
A cozinha assume papel fundamental de carácter social, local de preparação das refeições e junto á lareira era espaço de convívio. Os quartos eram sempre pequenos inerentes á sua função. Em alguns edificados de dimensões superiores ou de um extracto social um pouco superior, se lhe podemos chamar, poderia existir uma sala, cuja funcionalidade era cerimonial ou de serviço, ou seja seria um espaço de acolhimento de visitas ou um espaço onde o pessoal assalariado comia. Em alguns casos sobre o forro do quarto e da sala verifica-se um sobrado acessível junto à cozinha por uma escada fixa ou móvel onde serve de arrecadação diversa. No exterior, ao cimo da escada em pedra, na frontaria da casa, existe um "patim" ou balcão que servia de sequeiro do milho ou madureiro da fruta, onde se malha o feijão e onde se dorme as noites quentes de verão. Em algumas localidades ( Nabaínhos, Freixo da Serra...etc), poderá surgir nesse "patim" um alpendre com balustre em madeira.

Características & Elementos Construtivos.

Nos edificados de um extracto social mais elevado, da burguesia, como os casarios ou solares de condes assistia-se a uma alvenaria grosseiramente trabalhada cujos blocos de pedra eram sujeitos a uma regularização próxima da esquadria, definidas na pedreira.
Nas casas do povo,daqueles em que o sustento vinha da terra, e cujo edificado é esse aqui esplanado, a pedra usada na construção de muros era geralmente obtida por simples recolha nas zonas fluviais ( calhaus, seixos, rolados) ou encontradas à superfície de forma errática. Também elas eram sujeitas a escancilhamento prévio , de modo a avivar os bordos que se apresentassem redondos.

 

Os cunhais e ombreiras apresentam-se com grandes blocos, bem definidos e quase de paramento plano, de grande sustentação, definidora da estrutura. O travamento de blocos era decidida à medida que cada bloco era pousado, procurava-se no entanto respeitar as regras da descontinuidade.


 Predominam os telhados de duas águas, embora não sejam excepcionais nem raros os de quatro. A cobertura mais vulgar é a telha, que em zonas ventosas esta é segura com grandes pedras ladeiras. A cobertura de colmo ou giesta são menos correntes ( Casais de Folgosinho), assim como as coberturas em xisto, esta dependendo da situação geográfica ( Covão da Ponte), tendo como características as suas enormes e pesadas "lascas".


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Página realizada por Pedro Cavacas de Almeida. Para questões, opiniões ou contacto : arqpopular.beira@yahoo.com
Página realizada com textos de apoio: "Arquitectura Popular Portuguesa" de Mário C. Coutinho; "Arquitectura Tradicional Portuguesa" de Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano; "Construções Primitivas em Portugal" de Ernesto Veiga de Oliveira; " Técnicas Tradicionais de Construção de Alvenarias" de João Mascarenhas Mateus.